Temática

Educação para o cuidado do mundo: dimensões científicas, éticas e estéticas da formação docente

A hierarquização das três dimensões tem sido questão para a escola. No privilégio conferido a uma ou outra pode residir o risco da ilusão cientificista, da ética sem saberes, das artes sem a técnica ou do conhecimento que se desconhece como possível empreendimento de todos e para todos. Diante dos riscos, cabe perguntar: como o ideal de integração das três dimensões pode gerar e fortalecer uma educação para que as novas gerações possam cuidar do mundo? Qual formação desejável e possível para que professores sejam capazes dessa ação?

Já nos mostraram que a natureza dos discursos educacionais comporta com frequencia (às vezes excessiva) o recurso às metáforas. Dentre elas, a da viagem e a do olhar são recorrentes. Disseram também que ser educado não significa ter chegado a um ponto determinado, ao fim da viagem e sim continuar a viajar com um olhar ou uma perspectiva diferente (acolhedora, ampliada, solidária, entre mais). Alguém do campo das artes relembrando os fins humanos dos processos educativos observou que ampliar a presença do ser poderia corresponder ao modo sintético de expressar o maior compromisso que temos conosco mesmos, bem como a meta de toda arte, toda educação, toda política cultural. (Teixeira Coelho)

Lembremo-nos de que as referências  à educação implicam quase sempre um tempo por vir. Mas, como já se indagou: “de que amanhã se fala”?  E podemos responder: daquele no qual os que hoje educam possam ver concretizada a sua contribuição para que as novas gerações saibam cuidar do mundo. Dos recursos físicos como dos humanos, dos indivíduos como das coletividades, dos conhecimentos como do acesso a eles. Da inovação como da conservação, da invenção como da técnica. Cuidar de si como cuidar  do outro. Há nesse modo de dizer as coisas uma tentativa de projetar possibilidades que devem ser garantidas pela educação. Conhecimentos, valores e invenções estão no cerne de tal proposição. Inventar novos modos de ser, conhecer e viver juntos. Não temos hoje muita disposição para o otimismo porém, por tudo o que diz a história, nada pode anular nossa aposta e confiança  na educação.

O que ousaremos ensinar? Os limites disciplinares escolares não podem ferir as possibilidades de ampliação desses modos de ser, conhecer e viver juntos mas a  dissolução  desses limites não pode deixar de assegurar o caráter estruturante do conhecimento científico, ético e estético como condição para um cuidado do mundo. Tais são as inquietações que nos levam a reconstruir as questões da formação de professores e da educação das novas gerações.

 

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